sexta-feira, 31 de maio de 2013

nothing better

...e nada funciona melhor do que ter alguém que você ame te abraçando.

John Lennon

terça-feira, 14 de maio de 2013

Gabito Nunes - Que seja do seu jeito

Eu tenho vergonha do meu orgulho. Resisto às investidas da alegria, da plenitude, das letras do pop do nosso rádio sempre em sintonia. Não deixo a casca se formar nas minhas feridas, fico cutucando a mim mesmo com vara curta. Eu poderia listar 101 motivos pra gente não acreditar demais numa paixão que existe por acidente e por acidente pode nos deixar na mão, pois sabes, é impossível prever o banal, quedas de avião e caras mais interessantes do que eu.

Mas tudo bem. Tudo bem. Paro de falar, de pensar, de obedecer meus ímpetos caiofernandoabrelísticos e vou ficar aqui, te olhando com cara de bobo e os dentes postos a rir sem parar, sem motivo qualquer, exercitando os músculos atrofiados da minha cara amassada das noites agora bem dormidas. É o que dá pra fazer agora. O que resta é esperar, mesmo que esperar alguma coisa do amor seja o mal do século depois do vírus Ebola e o Roberto Justus cantando.

Sempre que crio coragem pro amor, me enrolo na linha tênue de me perder no fundo de você. E eu mal me espreguicei e já ganhei uma gaveta. Ninguém nunca me deu uma gaveta. Nela, vou acomodar minha bagunça. Sem separar o que é sentimento, o que é egocentrismo, o que é necessidade física. Procuro o manual em alguma lista de revista enquanto minha paranoia engorda com sua mesa bonita pro café.

Então me ensina. Me fala de cores. De sonhos. Sobre quantas colheres de açúcar. De listas de melhores bandas da última década. Tenho pressa em aprender a te entreter. Sou eu só, contra um mundo de ofertas mais altas que a minha. Não sei quanto tempo há antes de voltar sua vontade andar nos próprios joelhos. Para alguém sem parentesco com a pontualidade, ganhar tempo é quase desesperador.

Depois de pegar essa mania besta de querer voltar no tempo ou desejar que ele passe logo, eu queria que o tempo pudesse parar só dessa vez. Quem acredita nessa coisa de que nada dura pra sempre, nunca se apaixonou de verdade e não conheceu a estabilidade perturbadora do caos.

Mas parei de falar. Vou buscar um chá e te observar trabalhando nas planilhas do seu computador mais um pouco, mesmo sendo nós uma dupla de péssimos planejadores. Mas antes que seja tarde, me promete uma coisa: que não vai rir se acaso me fizer chorar. Ok. Pra que não seja mais uma vez tudo igual, que seja do seu jeito.